A chave para o controle do diabetes

Entenda o que é glicohemoglobina e ganhe autonomia no controle do diabetes:

 

Você já ouviu falar em um exame de sangue chamado GLICOHEMOGLOBINA ou HEMOGLOBINA GLICADA? Para quem é diabético, esta é uma informação chave para gerar autonomia no autocuidado.

A dosagem da Glicohemoglobina é um exame feito no nosso sangue para definir a quantas anda o controle do diabetes. Nós sempre ouvimos falar muito da glicose de jejum, que é a medida que se faz depois de 8 horas de jejum. Esta medida é, sim, importante mas é muito mais importante no momento do diagnóstico, ou seja, ela nos ajuda muito a descobrir se a pessoa está diabética, mas não é um bom parâmetro para o controle da doença ao longo do tempo. Entenda:

No nosso sangue, temos uma célula chamada Hemácia. Na verdade, temos incontáveis hemácias na nossa corrente sanguínea. É uma célula que também chamamos de célula vermelha. Dentro de cada uma delas encontramos  uma grande quantidade de hemoglobina. A hemoglobina é uma proteína que inclusive é responsável pelo transporte de oxigênio para todas as outras células do corpo.

Em condições normais, parte dessa hemoglobina pode se ligar a glicose que está no sangue. Quando mantemos a glicose alta por um período de tempo maior, aumentamos o percentual da hemoglobina ligada à glicose. Esse composto que elas formam é que chamamos de hemoglobina glicada.

A hemácia vive em torno de 3 a 4 meses e saber o valor da hemoglobina glicada nos ajuda a saber como  anda a glicose nesse período. E isso é de um valor imenso para o cuidado do paciente. O valor da glicohemoglobina vai nos dizer se os medicamentos de controle da glicose estão suficientes ou se é preciso aumentar a dose, por exemplo.

E QUAIS SÃO OS VALORES NORMAIS E OS ANORMAIS?

Para um paciente sem diabetes, o valor normal da hemoglobina glicada na maior parte dos protocolos médicos é <6,5. Entre 5,7 a 6,4, ficamos atentos, pois o paciente está em maior risco de desenvolver diabetes. 

Para pacientes que já tiveram um diagnóstico de diabetes,  usamos alguns alvos de glicohemoglobina. É como se todo o tratamento tivesse como objetivo atingir uma certa meta em relação à hemoglobina glicada. E por que fazemos isso? Porque os estudos científicos informam que há benefício para a saúde das pessoas quando a glicohemoglobina fica bem controlada.

ALVO:

Não existe um alvo único que todas as pessoas devem perseguir. A depender das condições de saúde, da história familiar, dos hábitos de vida de cada paciente, este alvo pode mudar.

Para que você entenda isso melhor, vou propor dois exemplos extremos.

O PRIMEIRO, um senhor de 96 anos, diabético, que teve um AVC, que ficou acamado, que não se comunica mais com seus familiares, que não faz nenhum tipo de contato verbal ou não verbal com os cuidadores, que se alimenta através de sonda, que já tem diversas complicações relacionadas ao fato de ficar somete deitado, por exemplo feridas no corpo, encurtamento da musculatura e dores crônicas. Imaginou? Certo.  Então, guarda essa imagem dele.

O SEGUNDO, um cara de 45 anos, diabético, recém diagnosticado, ativo, trabalhando, cheio de atividades, sem nenhum outro problema de saúde.

Comparando mentalmente a imagem desses dois homens, intuitivamente conseguimos identificar quem devemos tratar e tentar controle mais rigoroso. Para profissionais de saúde, isso é habitual.

Algumas pessoas não acham isso tão óbvio, assim. Por vezes, cuidamos de pacientes em fase final de vida e a família nos cobra muito um controle rigoroso e até questionam nossa competência. Por isso, a comunicação precisa ser muito eficiente para que todos entendam.

Quando somos rigorosos no cuidado e no controle da glicose de um paciente, não estamos pensando somente no seu bem estar no momento presente. Aliás, há muitas pessoas com um controle péssimo da glicose que se sente super bem e não apresenta nenhum sintoma ainda. Quando cuidamos com esse rigor estamos pensando principalmente em proteger esta pessoa de um adoecimento futuro. O Diabetes descontrolado significa risco maior de adoecimento dos rins, do coração, de comprometimento na circulação dos pés, de AVC, infarto, disfunção erétil e outras com plicações. Controlar bem a glicose hoje é aumentar as chances de estar melhor  daqui a 10 ou 15 anos, por exemplo.

Para um adulto de 45 anos, estar saudável aos 55 é muito importante. Para um senhor de 96 anos, já gravemente adoecido, é muito mais importante que se pense no bem estar dele agora. É a velha máxima de primar pela qualidade e não pela quantidade de dais vividos. Submetê-lo a dor de receber várias picadas nos dedos, nos braços o dia todo, ou usar comprimidos que podem acarretar efeitos colaterais tais como  dor e desconforto abdominal Não faz o menor sentido. Sem falar no risco de hipoglicemia que esse controle intenso acarreta, o que pode ser fatal.

Eu falei tudo isso pra que vocês entendam que não existe receita pronta. Tudo deve ser individualizado e a conversa com a sua médica, a sua enfermeira precisa respeitar suas preferências e condições de saúde.

Para se informar sobre as metas de Glicohemoglobina e sobre outros temas relacionados ao cuidado da pessoa com diabetes, assista aos vídeos na playlist de diabetes do meu canal no youtube.